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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma proposta de construção do futuro


No auditório da SINOBRÁS, durante o período de vigência do Governo Itinerante, tentei transmitir ao Governador Simão Jatene e sua comitiva, as reais expectativas que a comunidade marabaense tem em relação ao seu futuro. Também da consciência que a população tem das variáveis que podem significar ameaças, todavia, também, as factíveis oportunidades, nesse cenário. Acredito que consegui o intento.
Demonstrei em rápida abordagem, as oportunidades que o Pará e, em especial, essa região tem, de diversificar sua base produtiva dentro de um horizonte bem mais amplo – o da consolidação de um parque industrial na região.
Na ocasião, entreguei ao governador o esboço de um projeto que propunha materializar essa idéia.
Abordei a importância do eixo multimodal de transporte a se configurar com a hidrovia. Da condição de expansão do setor metal mecânico em suas duas etapas distintas (fornecedores das indústrias de base e as de transformação) e por consequência, de nova dinâmica no setor de serviços em toda sua cadeia. É a possibilidade de uma mudança radical em nossa cidade.
Alertei, principalmente, da necessidade de o Estado do Pará acompanhar em tempo real essas implantações, seus cronogramas e a concomitante adoção de políticas públicas pontuais para o sucesso do objetivo proposto. Isso para em definitivo, não perder espaços para estados concorrentes como Ceará e Pernambuco, onde também se instalam empreendimentos similares aos de Marabá.
Registrei ainda a forma agressiva com que os empreendedores nordestinos assumem para atrair empresas e configurar o seu parque. De igual forma, como as obras dos empreendimentos similares ao daqui, avançam em ritmo acelerado por lá. E o nosso vai indo…
Estabeleci na apresentação, como prioridade, focar o pólo metal mecânico, sem entretanto deixar de instigar que a equipe de Governo devesse provocar o Governo Federal, de forma que ele se pronunciasse a respeito das obras de derrocagem do Tocantins.
Naturalmente, pela importância desse projeto não só para o estado, como também para a União.
Também para propiciar a condição do Pará oferecer uma alternativa competitiva e atraente, um diferencial em relação aos demais estados já citados. Essa importância está bem retratada na matéria “Da notícia e sua lógica”, por Divaldo S. Souza.(www.acimmaraba.blogspot.com).
A resposta do Governo Estadual veio rápida.
Para inicio, ajustou uma reunião em Brasília entre governo, ACIM, bancada política paraense e o Ministro dos Transportes. O tema pautou ações federais de infra-estrutura no estado; BR 163, Transamazônica, PA-150(BR-155), hidrovia e porto público em Marabá.
O Ministro anunciou o andamento da BR-163 como satisfatória, cuja concordância do governo estadual foi pontual. O nosso governador tinha visitado essa obra e endossava o ritmo dado a mesma pelas construtoras que a consolidam.
Continuando, o ministro fez menção que acabara de assinar os termos da federalização da PA- 150, no trecho de Marabá a Redenção – anunciando, ainda, uma rápida operação para tornar possível o tráfego dessa rodovia ainda para o curso desse ano e uma operação pesada no próximo verão.
Fez referência também ao estágio da Transamazônica, trecho entre Marabá e Altamira, onde destacou que em virtude de pendências de licenciamento ambiental em dois trechos distintos não seria possível sua continuidade no curso desse ano.
Anunciou que o projeto do Porto Público em Marabá se encontrava no DNIT, em processo de finalização do projeto executivo, pelo que assegurou a continuidade desse propósito pelo governo federal.
Quanto ao mais esperado, a hidrovia, ratificou os rumores da retirada dos investimentos do PAC. Entretanto, informou que a Presidente Dilma Roussef determinara que ele, Ministro do Transportes e a Ministra do Planejamento, envolvessem o Presidente da Vale para rediscutir bases para retorno desse investimento.
Destacou ter pleno conhecimento da importância da obra para avanços estratégicos da configuração desse modal. Também que não justificava a conclusão das eclusas sem a navegação a montante da barragem, por óbvio.
Finalizando, assumiu o compromisso de após a reunião com o Presidente da Vale, prevista para os próximos 60 dias, retornar ao grupo participando com os informes resultado desse encontro.
Com relação ao pólo metal mecânico, o governo do estado esta sendo pontual. Assumiu o desafio do projeto proposto pela ACIM e ações com envolvimento de atores diversos começam a desenhar essa caminhada.
Sob comando do Secretário Adjunto da Secretaria de Estado de Projetos Estratégicos, David Leal, ocorreu a primeira reunião na sede do governo em Belém, contando na ocasião com diversos departamentos da administração estadual, consultorias especializadas, representantes da ACIM, ALPA, SINOBRÁS dentre outros.
Na ocasião foi definida a composição de quatro grupos de trabalho para continuidade desse projeto, assim constituídos:
Grupo I – Estruturação dos Distritos Industriais;
Grupo II – Comissão de Atração e Contato com Empresas Estratégicas;
Grupo III – Comissão de Capacitação de Mao de Obra;
Grupo IV – Comissão das Associações Comerciais;
A dinâmica está em andamento.
Os grupos já promoveram suas rodadas iniciais e no próximo dia 19/10, em Belém, apresentam ao Comitê Diretor o relato e exposição dos resultados das reuniões das comissões. Como resultados, definições e estratégias gerais, ações de seguimento a serem implementadas.
À exemplo do que ocorreu em cidades contempladas com investimentos similares ao de Marabá, o processo de desenvolvimento passa pela imperiosa necessidade de diversificar a base produtiva, implementando na região pólos industriais do setor metal mecânico que irão reproduzir aqui os avanços registrados nos estados de CE , ES e MG.
Estaremos informando os avanços desse trabalho.
Cumpre destacar que todo esse empenho pode ser traduzido pelas palavras desse que assina o presente texto, por ocasião das primeiras reuniões:

- “é uma forma de envolver e estabelecer compromissos entre os empreendedores que anunciam os investimentos em nossa região e a comunidade. É uma forma de envolver o principal agente público do estado, de forma que estabeleça conosco uma relação de cumplicidade e parceria traduzida em ações que contemplem o futuro de toda uma região”

Existem formas e formas de se expressar ou opinar a respeito de algum assunto.
Formas positivos, originárias daqueles que criticam para construir, para acrescentar – apontando possíveis falhas ou até discordâncias. E também sugestões, de correção, de alinhamento. E isso é ótimo, é muito bom.
E formas negativas, daqueles que desaprovam, criticam e nada acrescentam; regridem, nada produzem , senão a expectativa do apocalipse.
Em particular, acredito na ação que independente do cenário, das dificuldades, dos obstáculos, se esmera em construir – esforça e concentra suas atenções na criação, na inovação. Que acredita que podemos contribuir para melhorar a condição de vida de todos. Basta que cada um faça a sua parte.
Vou fazendo a minha, sempre aberto a sugestões e contribuições.

Texto de Italo Ipojucan, empresário, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EMPRETEC - UMA PARCERIA SEBRAE/ACIM


Da notícia e sua lógica


Por Divaldo Salvador* 

Quando fui informado que a obra para construção da Hidrovia do Rio Tocantins tinha sido retirada do PAC, fiz uma avaliação sobre a disposição da Vale, o projeto ALPA e o cancelamento desta obra. Pensei o seguinte: a Vale tinha um plano “B” e irá executá-lo, ou seja, vai implantar o projeto ALPA com a logística da Ferrovia Carajás, independente da construção da Hidrovia Tocantins.
A lógica foi pensar que a importância da Hidrovia para o Governo Federal restringia-se a viabilidade da ALPA, e, não o é. A ALPA é, com certeza, muito importante, mas a hidrovia é muito mais. A hidrovia não existe pela ALPA e sim, ao contrário. A ALPA existe porque tem logística, a Vale tem sua própria logística e pode existir sem a hidrovia, mas todos os demais projetos não o poderão, pois a logística da Vale é só dela e de mais ninguém. A Vale está correta, pois para se manter futuramente no mercado nas mesmas condições de hoje terá que multiplicar-se por três e a logística é o gargalo.
Os fatos a partir do anúncio da Hidrovia
Quando foi anunciada a conclusão da eclusa de Tucuruí e a inclusão das obras da Hidrovia do Tocantins no PAC - por nosso, então, Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva - ficou patente sua existência e, a partir daquele momento, Marabá recebeu entre muitos outros:
- Linave, empresa de Logística fornecedora de serviços na Amazônia, inclusive para a Vale, a procura de terreno para instalar-se. Depois do anúncio da retirada da Hidrovia Tocantins do PAC, desistiu;
- Hidrovias Brasil, do fundo de investimento Pátria e Promon, com projeto arrojado de portos, associada à Brink Logística, estabeleceu contrato de compra e venda de terreno em Marabá, pagou sinal para estudos iniciais. Depois do anúncio da retirada da Hidrovia Tocantins do PAC, perdeu o sinal de negócio e desistiu;
- Cargil, aportou, em Marabá, com oito executivos, procurando pela mesma oportunidade, com ela trouxe de arrasto o Governo do Estado do Mato Grosso, pois, neste caso, o custo da Soja pode ser reduzido pela logística, Paranaguá x Tocantins em até US$ 40,00/ton. Com o preço internacional da Soja hoje na ordem de US$ 500,00 /ton, nós estamos falando de 8%, o que significa a diferença entre ser viável ou não;*
- Cimento Nassau, tendo um pré-contrato com a Alpa para retirada e beneficiamento de escória granulada, a empresa está refazendo seus custos e, com certeza, descartará a possibilidade de verticalização desta matéria-prima em Marabá;
- Bertolini depois de realizar estudo de viabilidade econômica e financeira adquiriu terreno à margem do Rio Tocantins. Depois do anúncio da retirada da Hidrovia do PAC, vendeu;
As empresas citadas estão buscando oportunidade para prestação de serviços através da Hidrovia Tocantins, mas vão transportar o que?  E, aqui, vou me ater apenas a algumas das possíveis cargas, pois em um pensamento mais amplo vale lembrar que o Pará é um dos poucos estados do Brasil, em análise simplista, que pode separar-se da federação por benefícios fiscais. O Pará importa grande parte de industrializados consumidos e tem tudo para ser industrial. Mas, não tem mercado e, não o tem, por não ter logística. Só é viável a produção em grande escala e o mercado local é restrito. 
O sul do Pará é uma região das mais ricas em reservas minerais.  Todos falam sobre o minério de ferro e sabem deste, unicamente, porque existe logística própria: a Ferrovia Carajás. Lá, também, tem corpos minerais de: cobre, zinco, manganês, bauxita, cassiterita, chumbo, entre outros;
Diante do anúncio da retirada da Hidrovia do PAC, grandes players multinacionais e outros - não tão grandes – e, principalmente, os pequenos, assanharam-se. Iniciaram-se trabalhos para viabilizar a exploração mineral, pois, não estamos falando de ouro que virá, com certeza, por conseqüência. Estamos falando de grandes volumes de minérios que precisam de logística.
Ressalto que o preço histórico internacional do minério de ferro, no período de 1975 a 2002, foi de aproximadamente US$ 30,00 MT/FOB estivado. Hoje, custa em torno de US$ 150 dólares MT/FOB, em conseqüência da alta demanda internacional, principalmente da China, que passou sua produção de aço de 300 milhões de ton/ano para 550 milhões de ton, no último ano.
No entanto, os grandes bancos trabalham com a perspectiva de manutenção do boom das commodities até 2017, a razão não é a diminuição da procura, mas porquê o mundo inteiro tem minério - e em grandes quantidades - o que não existe é logística.
Logística está sendo construída ao redor do planeta e, só será competitivo aquele País que a tiver. O Brasil, melhor dizendo, o Pará, não pode perder esta oportunidade, pois, se assim o fizer, vamos continuar somente com a Vale que já tem a sua própria;
Estão na região, prontos para produzir e exportar, entre outras: Ferros, Codelgo, Brasil Mineral, Anglo American, Trafigura, Vertical, Recursos Minerais do Brasil, Colussos, e mais uma gama de pequenas. O Sindicato dos Produtores Minerais do Estado do Pará conta hoje com oito associados. Com a hidrovia não serão menos que 50.
Com o advento da ALPA temos, por consequência, o polo metal mecânico - grandes projetos cuja viabilidade só se dará mantendo seus tamanhos. Assim sendo, o mercado não será só o Estado do Pará, mas o mundo. Mas, sem logística não existirá pólo metal mecânico. Para ficar em um só exemplo: a empresa procurada para construir uma laminação de chapas grossas, a partir das placas da ALPA, e daí um estaleiro, está se instalando em PECEM, no Ceará. O motivo: a logística.
A conseqüência de um porto da Cargil será, com certeza, a diversificação da produção agropecuária e da implantação de indústria de esmagamento de grãos com produção de óleo, ração e adubo. Tudo isso só será viável se existir logística.
A RMB S.A. coordenou equipe técnica que já havia concluído os estudos de viabilidade para iniciar a engenharia básica de uma indústria para produção de 1.200.000/MT ferro gusa, a partir do minério de ferro próprio e carvão mineral importado, a exemplo do que a Newco faz em Trinidad Tobago. Os sócio-investidores determinaram que não fosse mais investido nenhum centavo antes de ter certeza da Hidrovia. O anúncio do cancelamento da obra da Hidrovia Tocantins já foi um desastre. Sua confirmação significará retroagir a 1972.
Precisamos ter a certeza da sua retomada e gritar aos quatro ventos, bem alto, para recuperar o tempo perdido.
O parque siderúrgico de Marabá, para produção de ferro gusa, com dificuldade por não ter o melhor valor agregado, poderia se transformar em uma siderúrgica para produção de aço do tamanho da ALPA.  Poderia agregar-se aos produtores da nossa vizinha Açailândia (MA) e teria o dobro da produção prevista para a ALPA. Mas, isso tudo só com logística. 
É importante ressaltar que todas estas empresas sabem uma das outras e que todas são viáveis. A Hidrovia Tocantins é mais importante que qualquer outra obra. Podemos afirmar com toda a certeza: existe um Pará antes e outro depois da hidrovia.
Da forma prevista hoje, com um número restrito de passagens diárias pela Eclusa de Tucuruí, nossa Hidrovia Tocantins nasce pequena, com 13.000.000/MT/ano. Devemos pensar em usar nove segundos de energia elétrica - necessários para cada passagem pela eclusa - a mais e atingir o número 80.000.000/MT/ano e isto compensará a energia não produzida.
Nós, os Paraenses, contamos com isto.

* Divaldo Salvador é economista, administrador, executivo da RMB. Cidadão Marabaense, após receber com honra o título da Câmara Municipal de Marabá, em 2006.